A visão de Chico lendo um livro ainda lhe era inédita, e então Arlindo Orlando por alguns segundos a encarou com cara de genuíno non sense. Não que acreditasse ser o Chico um sujeito desprivado de qualquer espírito literário, mas é que simplesmente, por mera novidade, Arlindo Orlando nunca havia encontrado tal possibilidade. Mas lá estava o seu companheiro de cerveja encarado em uma leitura improvável, que economizava as baterias do pequeno rádio, desligado em um canto.
E naturalmente Arlindo Orlando teve a pontada de curiosidade em saber que diabo de livro era aquele. Mas planejou não inibir aquela leitura com alguma pergunta idiota - somente fez que ignorou o livro, ainda de longe, enquanto chegava na portaria de seu prédio. Mas na verdade prestou bastante atenção na capa e no título. Era um livro cinza, capa simples. Podia ser tanto um livro de piadas como um tratado internacional de anatomia. E a curiosidade seguia espetando-lhe as idéias.
Mas não precisou de planos mirabolantes pra matá-la. Quando se aproximou, o Chico soltou uma risada tão inesperada que chegou a assustar o amigo. Percebendo a presença de Arlindo Orlando, Chico intimou-o a ler o tal livro, assim que ele próprio terminasse de ler. E então pôde ver que se tratava de um romance, de umas 300 e tantas páginas, sem marca de editora, sem nada. Apenas o romance, uma capa, e pronto. Prestou atenção no título, Inventário Amoroso de Antonio não sei o que lá, autor desconhecido - provavelmente desses livros que um sujeito escreve, não vinga, e então ficam uns poucos exemplares circulando pelos sebos, feiras e bancos de praça.
Pediu então emprestado ao Chico quando terminasse a leitura, pensando no quanto faria feliz ao tal desconhecido saber do pequeno milagre que indiretamente havia realizado.
E naturalmente Arlindo Orlando teve a pontada de curiosidade em saber que diabo de livro era aquele. Mas planejou não inibir aquela leitura com alguma pergunta idiota - somente fez que ignorou o livro, ainda de longe, enquanto chegava na portaria de seu prédio. Mas na verdade prestou bastante atenção na capa e no título. Era um livro cinza, capa simples. Podia ser tanto um livro de piadas como um tratado internacional de anatomia. E a curiosidade seguia espetando-lhe as idéias.
Mas não precisou de planos mirabolantes pra matá-la. Quando se aproximou, o Chico soltou uma risada tão inesperada que chegou a assustar o amigo. Percebendo a presença de Arlindo Orlando, Chico intimou-o a ler o tal livro, assim que ele próprio terminasse de ler. E então pôde ver que se tratava de um romance, de umas 300 e tantas páginas, sem marca de editora, sem nada. Apenas o romance, uma capa, e pronto. Prestou atenção no título, Inventário Amoroso de Antonio não sei o que lá, autor desconhecido - provavelmente desses livros que um sujeito escreve, não vinga, e então ficam uns poucos exemplares circulando pelos sebos, feiras e bancos de praça.
Pediu então emprestado ao Chico quando terminasse a leitura, pensando no quanto faria feliz ao tal desconhecido saber do pequeno milagre que indiretamente havia realizado.